O que muda pós formatura?

Alguns jovens colegas me perguntam isso sempre, então vou contar como é pra mim.
A primeira coisa que mudou foi meu senso de responsabilidade, é totalmente diferente ter alguém por trás do seu trabalho (no meu caso a Defensoria) e estar sozinha em um caso. Me tornei ainda mais detalhista. E corajosa, senão o judiciário e o sistema como é iam me comer viva.

Também fui muito cobrada de como eu ia me posicionar no mercado, se iria continuar estudando pra concursos, se iria atrás de uma vaga em um escritório… O que se tornou evidente é que esperam que imediatamente você passe a viver da advocacia e a realidade é bem mais complicada.
Também em dado momento tive que fazer um plano do que pretendo e traçar uma estratégia para isso, o momento agora é de plantar para depois colher frutos. E assim será.
Houve o dilema de como continuar estudando e qual seria meu foco a partir de agora, concurso ou especialização…
No fim você tem que agir e tomar decisões que a faculdade não ensina e a professora será a vida pois muitos colegas ainda são super competitivos, sou contra, sempre ajudo quando posso pq acredito que juntos somos melhores mas não tem como ignorar que já vi esse tipo de competição.
E também importante, bateu aquela crise de identidade já que não gosto do tradicionalismo e cheguei a cogitar uma mudança radical, porém, dando tempo ao tempo eu vi que não preciso abrir mão da minha autenticidade, que tudo é questão de entender o ambiente e fazer adequações, seja na aparência, seja no trato e isso será um eterno aprendizado. Sempre defendi que aparência não define competência e sigo, talvez mais comportada, mas ainda do meu jeito.
Então meu conselho é que, os jovens advogados se descubram na Advocacia neste período, que caminhem conforme seu tempo e necessidades e não com base no que esperam de você. Tudo é uma construção.
Seja curioso, não pare de estudar, conhecimento traz segurança e é algo que ninguém pode te tira.