Dumbo e a Ursinha mais triste do mundo

Recentemente a Disney lançou mais um live-action : Dumbo.

A história do elefantinho voador ganhou uma nova roupagem pelo olhar do diretor Tim Burton mas, apesar da história ser revista em alguns pontos a essência se mantém de forma amadurecida.

De fato, o filme trabalha muito bem a questão do sentimento dos animais e também a objetificacão para entretenimento humano chegando a mostrar sem cerimônias maus tratos que eram muito comuns em circos brasileiros e continuam sendo em muitas atrações que envolvem animais ao redor do mundo.

O filme emociona, faz o telespectador se revoltar com “tratadores” de circo, cria a empatia usando crianças. O fato de os personagens serem bem caricatos ao estilo Tim Burton contribui muito.

O próprio diretor se disse em algumas oportunidades fã do elefantinho : “estranho e meio monstruoso, que é ridicularizado e transforma a sua desvantagem, no caso as orelhas enormes, em vantagem, aprendendo a voar”. Sabemos que as obras de Tim Burton são odes muito bem concebidas ao estranho e Dumbo é a mais recente.

Em relação ao Brasil, maus tratos aos animais é crime porém não tem nem de longe uma pena ou atuação dos poderes responsáveis de forma rigorosa, deixando muitos casos impunes.

Lei Federal 9.605/98 – dos Crimes Ambientais

Art. 32º
Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos:
Pena: detenção, de três meses a um ano, e multa.

§ 1º Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos.

§ 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço, se ocorre morte do animal

Aqui no Brasil a maioria dos Estados já proíbe a utilização de animais em espetáculos. Ótimo, porém isso gerou também um grande número de abandonos de animais que estão hoje, em sua maioria longe do seu habitat ideal. Muitos nem levam uma vida saudável.

Foi o caso da ursinha Marsha, hoje conhecida como Rowena.

Essa foto rodou o mundo e fez com que ela ficasse conhecida como a ursa mais triste do mundo.

A situação era a seguinte, após sofrer maus-tratos em circos durante anos, ela foi parar em um zoológico em Teresina onde tentava se esconder do calor de mais de 40ºC cavando buracos no chão e era alimentada com ração de cachorro. Situação inadmissível para um urso pardo. Tanto climática quanto de bem estar.

Após muita comoção e ajuda de particulares, diversas frentes da proteção animal se mobilizaram para viabilizar seu resgate e transferência para um espaço construído pelo Instituto Luísa Mell especialmente para recebê-la no Santuário Rancho dos Gnomos em São Paulo. Até a Força Aérea Brasileira ajudou.

Hoje, com o nome de Rowena, é visível que o passado de sofrimento ficou para trás. A saúde foi tratada, a alimentação, espaço e manutenção são adequadas e a mudança da ursinha que representava tristeza e fazia repetidamente os movimentos aprendidos no circo é enorme em saúde e tranquilidade. Ela finalmente deixou os movimentos repetitivos no passado.

Sua história vai virar um livro escrito por Rita Lee.

Porém, não nos olvidemos que Rowena é uma. Dois de seus irmãos hoje vivem em situação ainda mais precária em um zoológico no Ceará. As negociações, não parecem ir bem.

Existem outros animais nestas condições no Brasil. E tudo por quê? Obviamente alguém achou que era boa idéia trazer animais de outros continentes pra cá e que o público pagaria para ver. Quanto mais exótico melhor… Ursos, macacos, girafas, elefantes…

Tudo o que é retratado em Dumbo não é fantasia, era e ainda é realidade para muitos animais.

E tão culpados quanto os que os exibem são os que pagam para ver.